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Wednesday, 4 May 2016

Tropa de Elite 2: O narrador da verdade

Kierra Leyco

Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro (José Padilha, 2010) conta a história do Capitão Roberto Nascimento que após uma decisão precipitada do seu colega, Matias, é desligado do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) mas é nomeado para o cargo de Subsecretario de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Vendo a situação como uma oportunidade de melhor combater o crime, ele descobre que o problema é mais complicado do que ele imaginava. Nascimento é então confrontado por uma situação política envolvendo grupos paramilitares (milícias) e oficiais governamentais. O filme conta a história a partir do ponto de vista de Nascimento, pois é relatada pelo narrador-personagem.
Tenho aqui o objetivo de examinar a importância e a verdade atribuída ao narrador-personagem, Capitão Nascimento. Esse ensaio analisará a verdade atribuída ao narrador como ‘voz da verdade’, um elemento documentário que dá poder ao narrador de impor sua própria opinião. O narrador é, portanto, vital para o desenvolvimento do filme, levando o espectador a melhor entender a situação de corrupção. Desse modo, o ensaio questionará e evidenciará igualmente capacidade do narrador de mostrar a corrupção atual enraizada no sistema. Mesmo não estando presente em certas cenas, ele tem a representação de um narrador onisciente, revelando a verdade, já que o filme conta a história do seu ponto de vista.



O Título
É importante primeiramente levar em conta o título do filme. O primeiro filme Tropa de Elite (2007) leva em conta o traficante da favela como o principal inimigo. Diferentemente, o segundo filme de José Padilha se foca na visão da instituição pela perspectiva de Nascimento. “O Inimigo Agora É Outro” demonstra que o inimigo vai muito além do que apenas os traficantes, mas também exibe todo o sistema corrupto que envolve o Brasil, que inclui desde traficantes até policiais e políticos. Como no primeiro filme, o narrador tem a função de revelar-nos sua história. Isso é enfatizado no início com o uso de flash-forward, quando o inimigo aparece atirando contra o narrador-personagem de Nascimento. Os inimigos revelam ser policias corruptos que estão fazendo uma represália por ele ter interferido nos negócios de corrupção. O filme é então baseado na vida do narrador-personagem e comprova ser a verdade dele.

A Função do Narrador Como a ‘Voz da Verdade’
A presença de um narrador mostra uma falta de confiança nas imagens visuais. Desse modo, as imagens podem ser eficazes, mas a dependência do narrador completa a obra na forma de palestra ilustrada. (Wiener, 2007, p. 73) O narrador não questiona, ele afirma. Por isso, o público também não sente necessidade de questionar as palavras do narrador porque ele é a representação da ‘voz da verdade’. Similar, a Ônibus 174 (2002), os narradores do documentário são a voz da verdade ao explicar os fatos da tragédia. No filme Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro, Nascimento impõe uma verdade com suas palavras. Essa ‘verdade’ é enfatizada de forma que as imagens seguem a narração. No filme, temos a exibição do policial militar, Rocha, que sobe o morro de Rio das Rochas para coletar o “dinheiro do arrego” dos traficantes. Não tendo o dinheiro necessário, Rocha mata-os. A tela fica preta e nesse instante a voz de Nascimento interrompe com os fatos da verdade dizendo “o que aconteceu de verdade foi bem diferente”. Nascimento continua narrando e explica que, “nada como uma crise econômica para aguçar a criatividade. Foi só eu cortar o arrego do tráfico para os corruptos perceberem o óbvio. Qualquer comunidade do Rio de Janeiro é muito mais que qualquer ponto de venda de drogas.” Pelo seu discurso, vemos uma cena similar àquela de antes mas que tenta revelar-nos outra história, a qual reforça o discurso do narrador. Como resultado, Nascimento divulga a realidade da situação, criando uma relação de confiança entre ele e os espectadores; o que reforça a ideia de um narrador de veracidade. Essa relação é reforçada pelo modo como o narrador se dirige ao espectador, tratando-o várias vezes de “amigo ou parceiro”. Similar ao documentário Edifício Master (2002), o narrador utiliza palavras familiares que amplificam a verdade atribuída ao seu papel como ‘voz de verdade’.
Um filme tem a capacidade de “vomitar informação” sobre a realidade, em esperança que a o público se dê conta da situação atual. (Vieira, 2003, p.86) Como o narrador de Padilha, o filme Cronicamente Inviável (2000) em vez de usar um narrador, utiliza duas cenas parecidas e através da comparação entre as duas, questiona a realidade da nossa sociedade. Portanto, Nascimento ‘vomita informação’ com a intenção de fazer o público refletir sobre a situação real. Por exemplo, Nascimento diz que “na verdade, era o BOPE que estava ajudando o sistema. [...] O sistema estava mudando, estava evoluindo. Antes, os políticos usavam o sistema para ganhar dinheiro. Agora, eles dependiam do sistema para se eleger.” Nascimento não somente nos apresenta uma verdade no filme, mas consequentemente, tenta nos comprovar como o sistema corrupto atual se enraíza em todos os setores para se consolidar. Como explica Enrique Arias (Arias, 2006, p. 297-298), na realidade, a relação entre traficante e politico é de clientelismo. Os políticos se asseguram com os votos dos moradores da comunidade, pois são beneficiados privadamente pelos traficantes, e os traficantes pelos políticos. O sistema é, portanto, um negócio.



Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro e o Elemento de Documentário
Devido a um aumento de crime, pobreza e violência urbana no Brasil, o tema de problemas sociais no cinema cresceu nos anos 90. (Borges, 2011, p.130) Como documentários, Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro, explora alguns desses elementos mas de forma melodramática onde existe sensacionalismo e exagero emocional. O narrador também é um elemento fundamental num documentário porque ele conta uma história que o pertence. Tropa de Elite, como explica Ismail Xavier, (Xavier, 2012, p.8) expõe temas já explorados por documentários. O documentário Ônibus 174 (2002) de Padilha por exemplo, se baseia nas declarações de policiais e vítimas que estavam envolvidos nos acontecimentos. Estas vozes são diretas já que no documentário não existe um narrador principal, mas, semelhante a Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro, utiliza o testemunho para formular a história. Como resultado, a imagem exibida fortalece as palavras do narrador já que seus comentários acompanham o filme com a narração voice-over. Por está razão a utilização das vozes é completamente diferente já que no filme de ficção ela é subjetiva e não direta.
A narração voice-over geralmente extrai o espectador da ação da tela, e destrói a ilusão por relembrar-nos que estamos assistindo um filme. Ademais, essa desconexão é acrescentada com o questionamento do espectador ao interrogar: porque Nascimento está narrando? E com quem ele está falando? A presença da narração de Nascimento é uma forma de contar um conto. Similarmente, o documentário de Ilha das Flores (1989), utiliza o elemento do narrador para guiar o espectador. A diferença é que Nascimento professa sua própria história utilizando várias vezes “eu” ao referir-se a cena, já que o documentário de Ilha das Flores nos oferece informação pela parte de um narrador-onisciente.
Semelhante ao documentário Ilha das Flores, o elemento do narrador sugere, entretanto, uma certa falta de inteligência pela parte dos espectadores, já que o narrador tem que constantemente explicar a cena. No filme, isso é claro quando a repórter, Clara, está investigando as milícias e seu amigo fotógrafo está tirando fotos, para uma matéria de capa, de indivíduos carregando caixas para dentro de uma casa. Na cena, o narrador explica que “as fotos eram mais que suficientes para matéria de capa. Mas jornalista, amigo, é curioso. A Clara não ia sossegar enquanto não descobrisse o que tinha naquele sobrado.” Enquanto isso, a jornalista parece muito ansiosa sendo retratada indo até a porta da casa. Apesar disso, o narrador é essencial em certas cenas porque ele nos oferece uma informação que não é claramente distinguida na imagem exibida. A Clara e seu amigo identificam apenas que os indivíduos carregando as caixas parecem ter roubado as armas da delegacia, que tinham o brasão da polícia raspado. O narrador, por outro lado, nos oferece muito mais informação. Nessa mesma cena, Nascimento narra “se dependesse do Rocha, a milícia ia entrar no bairro Tanque devagarzinho. Ninguém nem ia perceber. Só que eleição tem data marcada, neguinho pressionou e Rocha montou acampamento na casa de uma viúva.” O narrador é, portanto, fundamental especialmente porque a cena não nos apresenta essa informação que nos ajuda a melhor entendermos os acontecimentos.
Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro, manifesta elementos de qualidade de documentário. Como comprova Ismail Xavier, documentários criam uma "etnografia discreta" que expõe um pedaço de evidência da nossa sociedade. (Borges, 2011, p. 131) O filme usa a narrativa de um policial para refletir suas experiências e sua verdade, o que adquire um lado documentário presente no filme inteiro. Diferentemente de O Homem do Ano (2003), onde o foco principal não é de retratar a violência ficcional, mas sim a verdade da vida do personagem Nascimento e como sua história reflete uma verdade sobre o sistema brasileiro. O filme justifica, porém, elementos de verdade de como a corrupção está enraizada na sociedade brasileira, o que é enfatizada no testemunho do narrador. Consequentemente, o filme estimula a reflexão, por ter objetivo de impactar e ser polêmico, ao revelar uma realidade da sociedade.



Impondo Uma Opinião
A voz do narrador tem um impacto muito grande junto ao público. A sua importância é fortalecida com a ênfase dada a sua voz no momento da narração. Isso concede que Nascimento tenha então um poder de ‘Deus’ ao impor não somente uma verdade, mas também uma autoridade. Quando Nascimento entra de helicóptero para matar, para “limpar” a favela, o narrador se refere aos traficantes como “vagabundos”. Dessa forma, a narração de Nascimento impõe ao mesmo tempo uma ideia negativa da favela, que é reforçada por uma imagem na tela, já que o foco é os criminosos que se encontram lá. Como explica Daniela Ikawa, a nossa identidade é formulada por nossa relação com outras identidades, e também em parte com quem nos associamos. (Ikawa, 2014, p. 495) Consequentemente, Nascimento expõe sua identidade como ex-Capitão do BOPE, se associando com o lado ‘bom’ da justiça, e declarando os bandidos da favela como “vagabundos”. O narrador retém então a capacidade de impor sua própria opinião sobre o espectador, já que ele não será questionado. Essa imagem do policial do BOPE ‘bom’ e o traficante ‘mau’, é fortalecida no início do filme quando Matias salva a vida de Fraga que estava sendo ameaçada pelos prisioneiros, ou melhor, como diz o narrador “os vagabundos.” Sendo estes negros e referenciados negativamente, os prisioneiros retratados no filme tem a capacidade de fortalecer estigmas raciais ao enfatizar essa identidade. Muitas vezes, como explica Jan French, “os pobres e os não-brancos são alvos dessas palavras depreciativas que impõem uma realidade de discriminação da sociedade.” (French, 2013, p. 161) Mesmo se um político é bandido por ser corrupto, Nascimento não o refere como “vagabundo” mas apenas como “corrupto.” O narrador impõe sua opinião, e interpretamos a cena pelo seu ponto de vista.
Sendo o narrador da história, ele se expõe como herói, mesmo sendo de certa maneira um anti-herói. Sua narração pretende explicar-nos como ele tenta, de forma ‘heróica’, lutar contra a corrupção arraigada na instituição. Nascimento profere “a minha missão era mais importante que meus problemas pessoais. Eu fiz o que disse para o Matias que eu ia fazer, e transformei o BOPE em uma máquina de guerra.” Como nesse exemplo, Nascimento declara diversas vezes no filme o ‘eu fiz’. Isso acentua a guerra dele contra um sistema inteiro se colocando como herói. Isso é especialmente evidente no final quando Nascimento diz, “eu fui para a CPI do Fraga para detonar o sistema. Eu fui lá para falar a verdade. Botei muito político corrupto na cadeia.” Por essa razão, ele apresenta os fatos mas novamente se auto-promovendo. É claro que como narrador, Roberto Nascimento fala bem dele mesmo. Quando o Rocha ajuda o Matias a retornar ao BOPE por querer tomar a comunidade do bairro Tanque, por exemplo, o narrador explica que “só teve um problema. O Rocha foi chamar justo o Matias para trabalhar com ele. Quem treinou o Matias foi eu, parceiro.” Ele se elogia, não somente como um capitão capaz, mas também como uma pessoa do ‘bem’ e justa. Vemos as consequências da história narrada na imagem de flash-forward no início do filme, e também uma vitória tendo detido certos políticos corruptos e tendo a oportunidade de discursar no plenário. Isso é igualmente evidenciado no fim do filme quando Nascimento explica que “por causa do meu discurso, teve filho da puta que foi para a vala muito antes do que eu esperava. Foi a maior queima de arquivos da história do Rio de Janeiro.” Nascimento nitidamente se invoca como herói da história e discretamente reforça essa esta ideia sobre o espectador durante todo o filme.


A voz do narrador (Capitão Nascimento) é isolada, autoritária, verdadeira, reveladora, e além de tudo – nos comove. É importante analisar sua função porque é ela quem cria a história. Portanto, as imagens exibidas na tela, ou melhor, o filme é apenas uma manifestação de suas palavras.


Últimas Reflexões 
No final do filme, esses elementos são visivelmente presentes quando Nascimento explica que apesar das suas ações heróicas em expô-lo, “o sistema continuava de pé.” Ele invoca uma metáfora para que possamos refletir sobre a gravidade da situação, pois “o sistema entrega a mão para salvar o braço.” Ademais, o narrador tenta revelar-nos a sua verdade, todavia nos entregando uma representação da situação de corrupção real. Ele explica que “o sistema se reorganiza, articula novos interesses, cria novas lideranças. Enquanto as condições da existência do sistema estiverem aí, ele vai existir.” Similar ao filme de Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro, o filme de Vidas Secas (1963) como comenta Glauber Rocha, cria uma perspectiva para estimular um sentimento profundo mas não nos oferece uma solução. (Rocha, 1965, p. 2) Nascimento acaba narrando, articulando que “para mudar as coisas, vai demorar muito tempo. O sistema é foda. Ainda vai morrer muito inocente.” Igualmente na ‘retomada’, como explica Piers Armstrong, o cinema tem a intenção de nos apresentar a situação real pois integra aspectos de documentário, mas sem solução para que possamos tomar ação.” (Armstrong, 2009, p. 88) Dessa forma, ele é honesto até o fim ao expor não somente o problema, mas também afirmando a circunstância não favorável. 
Para concluir, o narrador-personagem Nascimento em Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro, evidencia possuir a verdade completa. Por esta razão, como narrador ele também apresenta elementos do documentário e consequentemente tem a habilidade e o poder de impor sua própria opinião ao espectador. Ao examinar essas questões, deduzimos que o narrador é fundamental, mas que ele influencia o público guiando-o ao longo do filme. Consequentemente, Nascimento possui uma autoridade ao contar uma história, ou melhor, uma verdade que ele deseja que aceitemos.
Essa análise também leva em conta que Nascimento expõe elementos que refletem autenticidade e melhor explicam a situação de corrupção atual que se espalha por várias áreas do governo brasileiro. Porém, não podemos responder concretamente a essa pergunta pois o filme é de fato ficcional e a verdade manifestada é apenas uma verdade para o narrador-personagem, Roberto Nascimento.
Por esta razão, o narrador é um elemento crucial que nos oferece muita informação nem sempre exibida nas imagens. Isso rende ao narrador a capacidade de nos influenciar já que suas palavras expõem diretamente sua opinião, e como nos documentários, relata os fatos. A voz do narrador é isolada, autoritária, verdadeira, reveladora, e além de tudo – nos comove. É importante analisar sua função porque é ela quem cria a história. Portanto, as imagens exibidas na tela, ou melhor, o filme é apenas uma manifestação de suas palavras.


Bibliografia

Arias, Enrique Desmond. “The Dynamics of Criminal Governance: Networks and Social
Order in Rio de Janeiro.” Journal of Latin American Studies 38.2. (2006): 293-325. Web.

Armstrong, Piers. “Essaying the Real: Brazil’s Cinematic Retomada and the New
Commonwealth.” Journal of Iberian and Latin American Studies: 85-105. Print.

Borges, Gabriela. “From City of God to City of Men: The Representation of Violence in
Brazilian Cinema and Television” Cinémas: Journal of Film Studies (2011) pp.123-
148. Print.

French, Jan Hoffman. “Rethinking Police Violence in Brazil: Unmasking the Public Secret
of Race.” Latin American Politics and Society 55 (2013): 161-181. Print.

Ikawa, Daniela. “The construction of identity and rights: race and gender in Brazil.”
International Journal of Law in Context (2014) pp.494-506. Print.

Padilha, José. “Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro.” Directed by José Padilha. 2011
[2010]. Film.

Rocha, Glauber. “Manifesto: An Esthetic of Hunger.” Revista Civilização. (1965): 1-5. Print.

Vieira, João Luiz. “Chronically Unfeasible: the political film in a depoliticized world.” The
New Brazilian Cinema (2003): 85-94. Print.

Wiener, Jon. “The Omniscient Narrator and the Unreliable Narrator: The Case of Atomic Café.”
Film & History: An Interdisciplinary Journal of Film and Television Studies, Volume
37.1. (2007) pp.73-76. Web.

Xavier, Ismail. “Ways of Listening in a Visual Medium.” New Left Review. (2012) pp.1-12.
Print.

Wednesday, 3 February 2016

Huni Kuin: Yube Baitana


A comunidade indígena Huni Kuin localizada no Acre montou uma equipe de programadores, artistas e antropólogos para criar seu próprio videogame. O projeto se chama “Huni Kuin: os caminhos da jiboia” e trata-se de um jogo de plataforma de 5 fases, onde cada fase conta uma antiga história desse povo. O objetivo do game, que poderá ser baixado gratuitamente pela internet, é levar um pouco dessa cultura para a sociedade brasileira através de uma mídia moderna. Assista ao vídeo e divirta-se aprendendo:


Um casal de gêmeos kaxinawá que foram concebidos pela jibóia Yube em sonhos e herdaram seus poderes especiais. Um jovem caçador e uma pequena artesã, ao longo do jogo, passarão por uma série de desafios para se tornarem, respectivamente, um curandeiro (mukaya) e uma mestra dos desenhos (kene). Nesta jornada, eles adquirirão habilidades e conhecimentos de seus ancestrais, dos animais, das plantas e dos espíritos; entrarão em comunicação com os seres visíveis e invisíveis da floresta (yuxibu), para se tornarem, enfim, seres humanos verdadeiros (Huni Kuin).

Imagens


Wednesday, 2 September 2015

Why do the humanities matter?



The Enduring Relevance of the Humanities


The University of Toronto has a well-deserved reputation for strength in medicine, engineering and the sciences. But U of T is also a powerhouse in the humanities. Recent rankings place us in the top 20 worldwide in English, philosophy, history and modern languages. Our Centre for Medieval Studies is world-renowned. Our faculty regularly win major national and international awards, such as the Holberg Prize, which is often called the “Nobel Prize for the humanities” (Natalie Zemon Davis, history; and Ian Hacking, philosophy) and the Molson Prize (Keren Rice, linguistics; Linda Hutcheon, English; and Wayne Sumner, philosophy). We host globally significant editorial projects such as the Dictionary of Old English, and our Jackman Humanities Institute is a hotbed of intellectual ferment.
Why do the humanities matter? The study of philosophy, religion, literature, languages, history, drama and art engages us in a conversation about what it means to be human. It enables us to think broadly and deeply about our problems and the values that guide us in forging solutions. The humanities foster cross-cultural understanding and engagement. They investigate the meaning of practices, texts and artifacts and thus encourage a critical rethinking of individual happiness and cultural vitality.
For these reasons, an education in the humanities provides its own intrinsic rewards. But a humanities degree also helps prepare graduates for a wide range of careers. As I noted in my column in the Spring 2014 issue, there is a great deal of pressure on universities these days to produce “job ready” graduates. Some see this as providing the rationale to give priority to the sciences and professional disciplines. On the contrary, experience indicates that a humanities education prepares students not only for specific jobs, but for a career and a lifetime of success.
In a 1985 interview, Northrop Frye said, “The businessman who hires someone totally inarticulate soon finds out that such a person is no more use to him than someone who falls asleep on the job. But the humanities graduate who has developed good verbal skills, whose mind has been framed to be flexible and adjustable, will find many options open.”
What was true three decades ago is even truer today. Many employers see great value in the competencies shown by employees with a humanities background. The American Academy of Arts and Sciences reported in 2013 that more than 90 per cent of business leaders regard liberal education as important because it imparts knowledge, both broad and specific, while fostering the qualities highlighted by Frye.
Still, there is work to be done. While defending the value of the humanities we must also help our graduates in these disciplines to extract the full benefit of their education. This is part of one of the three priorities for the university that I identified when I became president – to re-examine or perhaps even reinvent undergraduate education. To that end, recently Professor Donald Ainslie was appointed provostial advisor on undergraduate humanities education. Professor Ainslie has a great record of leadership and creativity in the field – both in his current role as principal of University College and from his time as chair of the philosophy department. In this new assignment, he will work with the office of the vice-provost (students), with humanities chairs on all three campuses and with Professor Susan McCahan, who was recently appointed to the new position of vice-provost for innovations in undergraduate education.
I will return to the topic of liberal education in a future column. For now, I offer this additional argument for the enduring value of the humanities. In the digital age, facts are instantly available to anyone with an Internet connection. But one must also be able to analyze information critically and marshal key points to form persuasive arguments. And this is just a starting point. The study of the humanities empowers us to question our assumptions, to communicate and to collaborate, to understand our history and culture and those of others, to evaluate what is and to imagine what could be. The humanities, therefore, are not only relevant – they are crucial to individual and societal progress and well-being.
Sincerely,
Merit Gertler
Published by Uoft Magazine

Monday, 20 October 2014

INTERACTIVE NARRATIVES NEW MEDIA AND SOCIAL ENGAGEMENT


Read the Proceedings: interactiveconference.spanport.utoronto.ca

Watch Conference’s video: http://youtu.be/AotT8fhop-s



First Day – Thursday Evening – October 23rd

Media Commons Theatre Robarts Library (3rd Floor)

130 St George St, Toronto (St. George Subway Station)

18:30-19:00 Registration

19:00-19:30 Opening Remarks

19:30-20:30 Crowdsourcing Documentary Making: Social Protest, Social Media and Engagement – Greg Elmer (Ryerson University)

Special Screening: Preempting Dissent (2014, 41’)

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 Second Day – Friday – October 24th

Room 119 – Emmanuel College

75 Queens Park Crescent E, Toronto (Museum Subway Station)

10:00-10:20 Registration & Coffee

10:20-12:00 Panel 1: New Narratives and Self-Interactivity

Moderator: Hudson Moura (Chair, Organizing Committee)

Florian Hadler & Daniel Irrgang (University of Arts Berlin, Germany) – Nonlinearity, Multilinearity, Simultaneity. Notes on Epistemological Structures

Tom Van Nuenen (Tilburg University, The Nederlands) – Journey as a post-literary travel tale.

Kris Fallon (UC Davis, USA) – Streams of the Self: The Instagram Feed as Narrative Autobiography

Siobhan O’Flynn (University of Toronto) – Narrative Strategies and Participatory Design: Framing New Methodologies for Narrative Studies

12:10-14:00 Lunch

14:00-15:20 Panel 2: Social and Interactive Multimedia Projects

Moderator: Martin Zeilinger (OCAD University, Canada)

Heidi Rae Cooley & Duncan Buell (University of South Carolina, USA) – From Ghosts of the Horseshoe to Ward One: Critical Interactives for Inviting Social Engagement with Instances of Historical Erasure (Columbia, South Carolina)

Rafael Antunes (Universidade Lusófona, Portugal) – Blue Pencil: Experiences in Transmedia

Mariana Ciancia, Francesca Piredda & Simona Venditti (Politecnico di Milano, Italy) – Shaping and Sharing Imagination: Designers and the transformative power of stories.

Coffee Break (20’)

15:40-17:00 Panel 3: Documentary and Social Interactivity

Moderator: Robert Davidson (U. of Toronto, Canada)

Ben Lenzner (University of Waikato, New Zealand) – Emerging Forms of Citizen Video Activism: Challenges in Documentary Storytelling & Sustainability

Begoña Gonzalez Cuesta (IE University – Madrid, Spain) – I-Docs and New Narratives: Meaning Making in Highrise

Janice Xu (Holy Family University, USA) – Telling the Stories of Left-behind Children in China: From Diary Collection to Digital Filmmaking

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Third Day – Saturday – October 25th

Room 119 – Emmanuel College

75 Queens Park Crescent E, Toronto (Museum Subway Station)

10:30-12:00 Panel 4: Remediation, Art and Activism

Moderator: Marta Marín-Dòmine (Wilfrid Laurier University, Canada)

Benj Gerdes (Long Island University – Post, USA) – Broken Screens
(and the Publics who don’t view them)

Isabella Trindade (Ryerson University, Canada) – In-between: between the concrete and the virtual, the physical and the imaginary

Charo Lacalle (Autonomous University of Barcelona, Spain) – Analysing women’s web comments on television fiction

12:00-14:00 Lunch

14:00-15:20 Panel 5: Film and Interactive Narratives

Moderator: David Sweeney (The Glasgow School of Art, Scotland)

Sandra Lim (Ryerson University, Canada) – Xapiri: at the juncture of history, experience, and technology

Kalli Paakspuu (York University, Canada) – Off the Wall with Shchedryk

Alexandre Coronato Rodrigues & Roselita Lopes de Almeida Freitas (ESPM – São Paulo, Brazil) – Collective Authorship In Real Time

Coffee Break (20’)

15:40-17:00 Panel 6: Theatre, Multimedia and New Narratives

Moderator: Sandra Lim (Ryerson University, Canada)

David Sweeney (The Glasgow School of Art, Scotland) – Crossing Boundaries: National Theatre Live, Backstage Access and Maximum Visibility

Daisy Abbott (The Glasgow School of Art, Scotland) – Old plays, New Narratives: Fan Production of New Media Texts from Broadcast Theatre

Aida Jordão (York University, Canada) – Inês de Castro on YouTube: Re-gendered Narratives

17:00-17:20 Closing Remarks

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Organizing Committee:

Hudson Moura (Chair) (Assistant Professor, Department of Spanish and Portuguese – University of Toronto)

Ricardo Sternberg (Professor, Department of Spanish and Portuguese – University of Toronto)

Regina Cunha (Ph.D. Candidate, Communication & Society Research Centre – CECS, Universidade do Minho, Portugal)

Cecília Queiroz (Director, BRAFFTV-Brazilian Film and TV Festival of Toronto)

Organizers:

Department of Spanish and Portuguese – University of Toronto

BRAFFTV-Brazilian Film and TV Festival of Toronto

Sponsors:

Department of Spanish and Portuguese – University of Toronto

Office of the Principal – Victoria College



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