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Tuesday, 26 January 2016

Escrevendo em Português!

Série de palestras do curso PRT420 Português Avançado.
Prof. Hudson Moura
Sala: VC304 (Victoria College, metrô Museum)
Como chegar: siga este link


JANUARY 28 @ 3pm – “Os passos básicos da reportagem na era digital” com Isabel Raupp Pimentel

O texto jornalístico e o passo a passo da realização de uma reportagem na era digital, onde a redução e a banalização do texto se tornam moeda corrente.



 Brasileira com 25 anos de jornalismo em rádio, televisão e revista. Isabel Raupp Pimentel morou em cinco diferentes países e no último ano estudou Relações Públicas e Relações governamentais aqui em Toronto.






FEBRUARY 4 @ 3pm – “O Factual versus o pessoal no documentário” com Gabi Veras
Em 2010, Gabi Veras começa com um projeto jornalístico sobre o impacto de líderes feminas nas comunidades rurais do nordeste do Brasil. Esta experiência pessoal se torna logo numa jornada pessoal pelo sertão sobre esperança, promessa e um encontro. O encontro é com uma mulher conhecida como Dona Josefa, que tem sido uma profissional da saúde, parteira e líder de comunidade há mais de 50 anos. Intrigada com a forma tão eficaz de tratamento através de ervas e rezas, Veras leva o espectador a descobrir um mundo não-convencional que existe e funciona graças a mulheres como Dona Josefa.
Healers (Documentário, 2013, 30 min) online: https://vimeo.com/69288808

Nascida na ilha de Florianópolis no sul do Brasil, Gabi Veras trabalhou por mais de quinze anos nas redações de vários noticiários do Brasil e do Canadá, como a CBC Radio, Radio Canada Internacional e OMNI Television. Em 2001, ela co-produziu com Avi Lev o documentário We are samba.



FEBRUARY 11 @ 3pm – Formas de tratamento no Português brasileiro: O uso do você” com Thiago Bolivar

Este é um trabalho de investigação sociolingüística sobre o uso de formas de tratamento em interações comerciais em Porto Alegre, RS. Foi analisado o uso de formas de tratamento por parte de vendedores do comércio local, no atendimento a clientes, sendo que demos especial atenção para a forma você ao verificarmos que, quanto mais alto o contexto socioeconômico, maior a frequência de uso dessa forma. O trabalho também apontou um comportamento diferenciado entre homens e mulheres nessa situação, sendo a frequência de você entre as últimas bastante superior à mesma frequência entre os primeiros.
 
Thiago Bolivar é professor assistente da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) em Foz do Iguaçu, PR (Atuação: Línguas Adicionais; Linguística). Cursa doutorado na Universidade de Campinas, Brasil. (http://lattes.cnpq.br/4541879404930264)



MARCH 10 @ 3pm - “O que move a minha palavra: uma discussão sobre a visceral necessidade de escrever” com Irene Marques

O trabalho da escritora e professora Irene Marques é caracterizado por uma profunda investigação filosófica onde o indivíduo aparece como uma entidade em constante busca do "todo" em um mundo marcadamente sociopolítico que divide, disseca, aniquila, humilha e rejeita inteligências (não-racionais) multidimensionais e seus caminhos iluminados. Suas narrativas são complexas, multifacetadas, transculturais, trans-históricas e trans-temporais recheadas de alegorias, metáforas, lirismos e realismos mágicos.

Irene Marques é professora de literatura e estudos africanos nas universidades de Toronto e York. É autora dos livros de poesia Wearing Glasses of WaterThe Perfect Unravelling of the Spirit and The Circular Incantation: An Exercise in Loss and Findings, do romance My House is a Mansion e da coleção de contos Habitando na Metáfora do Tempo: Crónicas Desejadas (www.irenemarques.net)

Friday, 2 October 2015

Programa Emanuel Félix

O Programa Emanuel Félix visa apoiar a tradução para a língua inglesa de obras de autores açorianos consideradas de relevante interesse para o conhecimento do património sociocultural açoriano, com vista à sua edição e distribuição nas Bermudas, Canadá e Estados Unidos da América.

O programa, que tem como objetivos valorizar os autores açorianos, divulgar a Região Autónoma dos Açores,

promover a Açorianidade, preservar a identidade cultural açoriana e difundir as características socioculturais do povo açoriano junto das sociedades onde se encontra radicado, é destinado a editoras das Bermudas, Canadá, Estados Unidos da América e de Portugal, bem como a tradutores.

Os interessados poderão formalizar a sua candidatura, mediante formulário disponível aqui, de 6 de julho a 30 de setembro de 2015.

Emanuel Félix, poeta terceirense, ensaísta, autor de contos e crónicas, artista de fina sensibilidade e recorte literário, desempenhou um papel de inegável interesse e importância no enriquecimento da produção literária de raiz açoriana, pelo que detém uma imagem de referência nas comunidades açorianas da diáspora.

O Programa Emanuel Félix é mais uma afirmação identitária da família açoriana espalhada pelo mundo e o justo reconhecimento do valor dos seus artistas na área da escrita.

Para mais informações consulte o Regulamento ou contacte a Direção Regional das Comunidades.

http://www.azores.gov.pt/…/texto…/Programa_Emanuel_Felix.htm



Monday, 21 September 2015

Lecture: Demystifying Portuguese National (Literary) Myths: "The Twelve of England”

Rogério Miguel Puga (FCSH-New University of Lisbon)

Title:  Demystifying Portuguese National (Literary) Myths: "The Twelve of England”

Local: Northrop Frye Hall 004
Date: Tuesday, September 22nd, 2015
Time: 1-2pm

This lecture will analyse the function and need of national myths as a way to create and maintain the idea of a shared past, a national sense of identity and figures of function as examples for the national 'imagined' community, while interpreting one of Portugal's most famous and enduring national literary myths, the episode of the Twelve of England, imortalised by Camões in his The Lusiads.

For more information on Professor Puga, please see:

http://portuguese-american-journal.com/miguel-puga-his-work-on-macau-and-his-wide-literary-interests-interview/


Wednesday, 9 September 2015

Conference: A VOZ DOS AVÓS: IDENTIDADE, MEMÓRIA E PATRIMÓNIO CULTURAL


A VOZ DOS AVÓS: IDENTIDADE, MEMÓRIA E PATRIMÓNIO CULTURAL
11 de setembro - Blackburn Room – ROBARTS LIBRARY 130 St. George Street
12  de setembro - Alumni Hall – VICTORIA COLLEGE
 91 Charles Street West


Ficha de Inscrição - Participantes sem Comunicação



Sexta-feira  - 11 de Setembro 2015
Blackburn Room – ROBARTS LIBRARY - 130 George Street, 4º andar (metro St. George, saída/exit St. George)

9h00 - 9h30 – Registro e Abertura

9h30 – 11h00 – Língua, literatura, artes e média
Moderador: Aline Ferreira

Aida Baptista. Pais ausentes e avós presentes nos caminhos da emigração. (aidabatista@sapo.pt)

Andréa de Oliveira. Os guardiões da memória e as narrativas fantásticas presentes em Francisco do Sul, SC, Brasil.(Fundação Cultural Ilha Francisco do Sul / Museu Histórico Prefeito José Schimidt, Brasil; decaoliva@yahoo.com.br)

José Manuel Esteves. Avós e netas na literatura portuguesa – três modos de representação. (Universidade Paris Ouest Nanterre La Défense, França; jose.costaesteves@wanadoo.fr)

Júlia Nery. Avó e neta emigrantes - passado que afirma, futuro que interroga.a (julianery1@gmail.com)

11h00 - 11h30 – Pausa para café

11h30- 13h00 - Património cultural
Moderador: Roseli Boschilia

Ana Mateus Silva e Natália Ramos. A importância dos avós no desenvolvimento das competências das crianças na primeira infância. (CEMRI, Universidade Aberta, Portugal; anizabel063@gmail.com / natalia@uab.pt)

Arlete Assumpção Monteiro. A herança portuguesa do saber “fazer rendas de bilros” na Ilha de Santa Catarina/Brasil. (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e CERU-Centro de Estudos Rurais e Urbanos-Universidade de São Paulo, Brasil; arlete@pucsp.br ou alugui@usp.br)

Maria João Dodman. Património cultural açoriano: histórias de nossos avós. (Universidade de York, Canadá; mdodman@yorku.ca)

Yvone Dias Avelino. Avosidade, política e resistência: as avós da “Plaza de Mayo”. (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil; yvonediasavelino@uol.com.br)

13h00 – 14h00 – Almoço (Blackburn Room)

14h00- 15h00 – Abertura da exposição O BAÚ DE NOSSAS AVÓS: Robarts Library R/C

15h00-16h30 – Famílias e relações intergeracionais
Moderador: José Manuel Esteves

Maria da Conceição Pereira Ramos. Envelhecimento ativo, solidariedade intergeracional, voluntariado e cidadania sénior.(Universidade do Porto, Portugal; cramos@fep.up.pt)

Teresa Medeiros. Os avós como pessoas em desenvolvimento. (Universidade dos Açores, Portugal; piresmedeiros@gmail.com)

Natália Ramos. Migrações, famílias e maternidades transnacionais: redes de cuidados globais e intergeracionais e conflitos familiares e identitários. (CEMRI, Universidade Aberta, Portugal; natalia@uab.pt)

Katherine F. Baker. Recovering memories: grandmothers’ letters of sorrow and shame. (Universidade de Pittsburgh, E.U.A.; kfb2@pitt.edu)

Lená Medeiros de Menezes. CLARINDA: uma avó à frente de seu tempo. Memória e tradições resignificadas. (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil; lenamenezes@hotmail.com)

19h00 - Jantar (para os conferencistas)
Restaurante Flor de Sal; flordesalrestaurant.ca/
501 Davenport Rd, Toronto, (416) 923-2604

Sábado – 12 de Setembro 2015
Alumni Hall – Victoria College, 91 Charles Street West R/C (estação de metro: Museum)

9h00 – 11h00 -  Novos conceitos de família e relações interculturais
Moderador: Maria João Dodman

Flavia Schuler  e Cristina Dias “Deixados para trás”: as repercussões da migração da mãe na vida dos filhos que ficaram. (Universidade Católica de Pernambuco, Brasil; flavia_schuler@hotmail.de)

Cristina Maria de Souza Brito Dias e Gilzacarla Alcântara dos Santos Oliveira. Netos adultos: perceção dos vínculos e relacionamento com seus avós.(Universidade Católica do Pernambuco, Brasil; cristina.msbd@gmail.com)

Emily Schuler e Cristina Maria de Souza Brito Dias. O processo de recasamento dos filhos na perspetiva dos avós. (Universidade Católica de Pernambuco, Brasil; schuler.mily@gmail.com)

Gislaine Crepaldi Silva, Vânia Cristina Nadaf, Miriam Ross Milani, Luísa do Amparo Carvalho Patatas, Ivone de Oliveira Lima, Henrieth Marques Montanha. Mães apenadas: o papel das avós cuidadoras. (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Campus de Cuiabá, Brasil; lainecrepaldi@bol.com.br)

Natália Ramos e João Paulo Vieira Rodrigues. Os avós na família contemporânea portuguesa: transmissão intergeracional e interculturalidade nos cuidados aos netos. (CEMRI, Universidade Aberta, Portugal; joaocereus@gmail.com)

Vânia Cristina Nadaf, Miriam Ross Milani,  Luísa do Amparo Carvalho Patatas, Gislaine Crepaldi Silva, Ivone de Oliveira.  As avós materializadas nas vozes de seus netos: um estudo intergeracional.(Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Campus de Cuiabá, Brasil; vania.nadaf@cba.ifmt.edu.br; lainecrepaldi@bol.com.br)

11h00-11h30 – Pausa para café

11h30- 12h30 Sessão de ”posters” (cartazes)

Alexandra Silva, Ashley Évora, Catarina Cardeal, Catarina Gomes, Emanuel Melo, Escola do First Portuguese, Joana Maia, Joana Milcheva, Luciana Graça, Teresa Medeiros.

12h30 – 13h30 – Almoço, Burwash Hall, 93 Charles Street

14h00 – 15h00 - Alice Vieira, Escritora convidada – Avós de ontem e de hoje 

15h00-16h00 –  Identidade e Memória
Moderador: Teresa Medeiros

Maria Izilda Santos de Matos. Vozes e silêncios nas cartas de e/imigrantes (Brasil-Portugal 1890-1930), (PUC/SP e CNPq, Brasil; mismatos@pucsp.br)

Roseli Boschilia. Discursos sobre a identidade étnica na literatura infantil brasileira. (Universidade Federal do Paraná, Brasil; roseli.boschilia@gmail.com)

Luísa Maria Desmet. Envelhecimento: Percursos de vida de homens e mulheres migrantes, (Santa Casa da Misericórdia, Lisboa e Universidade Lusófona, Lisboa; luisadesmet@gmail.com)



15h00 – 16h00 - Alice Vieira, Escritora convidada – Avós de ontem e de hoje
 
16h30 - Lançamento de livros
A voz dos avós – gerações e migrações – Coord. Rosa Simas – apresentação Ilda Januário
Envelhecer e Conviver  Coord.  Teresa Medeiros, Carlos Ribeiro, Berta Pimentel Miúdo e Adolfo Fialho – apresentação Natália Ramos


Momento de convívio

13 de Setembro -  DIA DOS AVÓS

10h00-11h00 – Visita guiada à Galeria dos Pioneiros Portugueses; http://galleryoftheportuguesepioneers.com
960 St. Clair Ave West (estação de metro St.Clair West, westbounde saída na Oakwood Ave)


11h00 – Partida para Niagara Falls – Passeio para os congressistas inscritos.


PATROCÍNIOS:
Galeria dos Pioneiros
Camões, Instituto de Cooperação e Língua
Presidência do Governo dos Açores
Universidade de York

ORGANIZAÇÃO:
Manuela Marujo, Associate Chair Portuguese Program
Departamento de Espanhol e Português
91 Charles Street West, suite #208
Toronto, Ontario M5S 1K7
Telefones: (416) 813-4080/83; Fax: (416) 813-4084



Monday, 24 November 2014

Flores Raras @ Media Commons


Reaching for the moon (Flores Raras, Brazil, 2013) Directed by Bruno Barreto

Q&A with Hudson Moura

DATE: Monday, December 1

LOCAL:  University of Toronto Media Commons, Room 1

130 St George St, 3rd Floor

TIME:  5:00 p.m.

LANGUAGE: English and Portuguese

It is 1951. New York poet Elizabeth Bishop is looking for new inspiration for her work. She travels to Rio de Janeiro to visit Mary. Bishop’s moving poems are at the core of a film which lushly illustrates a crucial phase in the life of this influential Pulitzer prize-winning poet. Based on the true love story of  Bishop and Brazilian architect Lota de Macedo Soares. Initial hostilities make way for a complicated yet long-lasting love affair that dramatically alters Bishop’s relationship to the world around her.

Saturday, 8 November 2014

“Entre Margens e Memórias: Representações da Diáspora”, Nov 2 – Dec 1 2014

The University of Toronto, York University and Camões I.P. extend you a warm invitation to attend the events which make up the program “Entre Margens e Memórias: Representações da Diáspora”. It includes talks, film screenings and exhibits and aims at promoting a critical and open reflection about the Portuguese-speaking Diaspora.

Click on the link for the Calendar of Events

Entry is free and all are welcome!

Thursday, 6 November 2014

Uma tarde com o escritor Gonçalo M. Tavares

No dia 23 de outubro, os alunos do PRT320 e PRT420 tiveram a oportunidade de ouvir e colocar questões ao escritor G.M. Tavares. O escritor falou, de forma acessível, para o nosso público, composto por alunos de Português Segunda Língua. Leitura como primeiro passo para a escrita, a leitura indispensável dos clássicos e a obrigatoriedade de ouvir a opinião dos professores na seleção de títulos entre os milhões existentes.




Notas da conversa com o escritor G.M.Tavares:


O que é a escrita? O que é ser escritor?
Nao há ligação entre matéria e palavra. Por exemplo: a palavra cão não morde. A palavra mesa não serve para colocar nada em cima. O alfabeto nada mais é do que uma combinação de traços. O traço é comum à literatura, ao desenho e outras artes. A língua é muito abtracta, são traços, é quase um código morse. Como é que eu com traços e formando palavras consigo fazer ver, acreditar, sentir? É muito complexo. O leitor conseguir ver é que faz a qualidade da escrita. Quando o leitor se emociona ao ler um livro, estamos a emocionar-nos com traços. O meu livro O senhor Valery é uma homenagem a vários escritores, artistas. São histórias muito curtas. Tento escrever o mais sintéticamente possível, oito palavras em vez de quinze, se for possível. O meu objetivo é diminuir ao máximo o número de palavras dizendo o que quero dizer. Escrevo primeiro a “massa bruta”. Depois, passadas semanas, de 4 ou 5 páginas reduzo tudo para metade duma página.  Às vezes demoro 3 semanas, um mês a rever as 10 páginas que escrevi à mão. Ao fim desse mês, em vez de 10 páginas, tenho ½  página. O que me interessa é concentrar a energia toda do texto em poucas palavras. Creio que isso contribui para maiores interpretações da leitura. No livro O Senhor Brecht as histórias são muito curtas, resultado de muito trabalho. Meia página pode dizer muito.
(Leu O Desempregado/ O cantor/ O homem mal-educado)
Eu acho que se deve intervir politicamente de forma literária. No texto Avaria eu intervenho sobre a pena de morte. Eu acredito que através da caricatura, da ironia se pode intervir, se pode pôr em causa muita coisa.
(Leu O estrangeiro/ O mestre/ A revolta)
No estrangeiro, por exemplo, pode comparar-se com o professor de línguas. Gosto dos meus textos muito pequenos que podem ser usados como debate. Se se conseguir encurtar o texto, fica muito mais para interpretar.

Porque levo tanto tempo a publicar?
O próprio tempo ajuda a selecionar. O que me parece muito bom hoje, daqui a uma semana ou um mês já me parece menos bom. Escrevo, ponho numa gaveta e daqui a 3 ou 4 anos volto ao texto.  Encontro muitas coisas que já não gosto, corto, seleciono.
Geralmente quando acabamos de escrever um texto achamos muito bom. Temos que criar distância, ser críticos de nós mesmos. Pôr tempo no meio é essencial.  Tento ser leitor e ver com olhos críticos e corrigir.
A literatura não é como o teatro,  permite não fazer uma estreia antes do tempo.
Há quem diga que não se deve escrever quando se está apaixonado. A emoção não deixa ver. Quando se escreve poesia debaixo de emoção e se dá a ler o mesmo texto a outra pessoa, geralmente essa nada vê daquilo que pensamos estar a transmitir. Quando se sente e se escreve, não se tem sentido critico.
Exemplo: o diário é um registo escrito importante para a pessoa. A escrita literária é para os outros, a pessoa não está na mesma situação. Ou a pessoa quer escrever paar si  - e o diário é bom exemplo, - ou para os outros, quer perturbar os outros, são coisas completamente diferentes.
Os surrealistas defendiam a escrita espontânea, automática, quase nada ficou do surrealismo a não ser na pintura.

Ler – por onde se deve começar?
Deve começar-se por textos simples, i.e., que não utilizem palavras complexas. Eu gosto de O Senhor Valery porque mesmo uma criança pode entender.
Para mim a leitura está associada ao prazer, é quase uma excitação. Está associada a toque. Eu leio sempre de lápis na mão. Não consigo ler sem um lápis. Ler não é passividade, para mim é uma atividade. Para mim, não é tempo passivo. Fisicamente eu leio debruçado soobre o livro. Quando estou cansado eu não leio, vejo televisão.
Se a pessoa está a ler um livro que não lhe dá prazer, deve deixar esse livro e passar a outro.
Deve ler-se os clássicos. Se o livro é bom e a pessoa não quer ter o trabalho de ler, está a ignorar as várias gerações. Exemplos: Crime e Castigo, Alice no Pais das Maravilhas, A Montanha Mágica, O grande sertão.
Deve ouvir-se as gerações anteriores e confiar na opinião daqueles que continuam a selecionar esses livros.
Em tantos milhões de livros para escolher ler, é bom ouvir a opinião de outros. Deve poder escolher-se à vontade mas dentro de uma lista proposta por alguém que lê e pode saber mais. Não se perde tanto tempo.

O que é um livro?
Não é uma capa. Um livro é algo que trata a lingua de forma diferente, é exigente, muda a velocidade da leitura. Se compararmos com um artigo de jornal, por exemplo, o texto literário tem que ter outra natureza.  Um livro deve inaugurar um mundo qualquer diferente.
Há uma diferença entre informação e cultura. A internete por exemplo dá a informação imediata, mas a cultura ensina a relacionar. A interneta com os “links” destrói a ideia do livro. O livro ajuda-nos a fazer ligações, ajuda à concentração.
A palavra concentração vem de “com um centro”. Só pode haver um centro, a leitura é um processo de concentração. A leitura eletrónica muda os centros, faz perder a concentracão.

Quando e como escrevo?
Quando escrevo, desligo a net, o telemóvel, fecho a porta, estou 4 a 5 horas fechado no meu “bunker”, os meus pais por exemplo quando querem comunicar comigo mostram a sua compreensão e amor, colocado-me papéis escritos debaixo da porta. Fico num estado meio hipnotizado, de zombie, vou tomar café à cozinha, mas nao falo com eles, com ninguém.
Geralmente na primeira hora não consigo escrever nada, só à terceira hora começa a sair qualquer coisa. O ritmo é muito importante, tem que se ter tempo, horas seguidas para se escrever.
O papel do livro é importante, o brilho é mais difícil de ler, no écran há um brilho que obriga a parar.
Escrever exige tempo. Eu não acredito que quem queira mesmo escrever não o encontre. Tem que se dizer não a muitas coisas. Tem que se dizer não às pessoas de quem gostamos muito.
Agora há mais tempo. Basta pensar no tempo dos nossos avós, o tempo que precisavam para cozinhar por exemplo. É injusto dizer que não temos tempo se pensarmos nas gerações dos nossos avós. Eu não concordo que a vida seja mais ocupada agora.

Como é que sabe que o que se escreve tem valor? Porque demorei tanto tempo a publicar?
Mandar o livro concorrer a prémios é uma boa maneira. Os amigos e familia vão sempre achar que o que escrevemos é bom. Temos que ser criticos de nós mesmos. Temos que deixar passar tempo. Só me atrevi a publicar quando me senti preparado para o que pudessem dizer. Muita pessoas publicam um livro e nunca mais publicam nada. Umas vezes porque foram tão elogiados que não se atrevem a escrever outro com medo de não ser capaz de repetir a proeza. Outros porque foram tão criticados que perdem a confiança.

Eu não concordo com aqueles criticos muito exigentes que acham que é preciso destruir para estimular a pessoa a fazer melhor. Acho criminoso destruir o sonho de uma pessoa que quer escrever. Devemos ser generosos para que a pessoa não abandone a escrita. Uma pessoa que tira o sonho a outra devia ser presa.

É importante ler? Que livros mais me influenciaram?
Ler é a primeira parte, escrever é a segunda,
Gosto de escritores do imaginário e também dos realistas. Algusn escritores e artistas que me influenciaram: Virginia Wolf, Voltaire, Pessoa, Musil, Kafka, Clavino, Borges. Eu leio, leio todo o tempo. Tenho milhares de livros e leio sempre.
Tragédia literária é o que muitas vezes acontece com a poesia. Fernando Pessoa é a antītese da poesia emocional.
Os professores deviam dar aos alunos uma lista de livros obrigatórios.
(Contou o episódio do irmão a fazer doutoramento em Matemática  Aplicada em Harvard cujo professor na primeira aula deu uma lista de livros clássicos a todos os alunos. Um atreveu-se a perguntar a razão de ter que ler aquelas obras literárias se eram alunos de Matemática e o professor respondeu que se recusava a falar com pessoas que não tinham lido pelo menos aqueles livros.).
Viagens e leitura mudam a cabeça das pessoas. Se a pessoa não viaja e não lê, passados dez anos, está com a mesma cabeça.